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ANTIDEPRESSIVOS: NECESSIDADE OU CONSUMO EXAGERADO?
O site do jornal O Estado de São Paulo publicou recentemente a seguinte
manchete: “Pesquisa
questiona eficácia do remédio Prozac - Antidepressivo tomado por 40
milhões de pessoas é exceção em casos de depressão profunda”.
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A
matéria relata uma pesquisa que examinou todas as informações
disponíveis, inclusive os resultados clínicos que os fabricantes
optaram por não divulgar.
Os testes consistem na análise do comportamento de pacientes que
tomaram Prozac e outros que tomaram placebo ou pílula de açúcar.
Quando todos os dados foram reunidos, concluiu-se que
os pacientes que tomaram Prozac obtiveram uma melhora em seus
quadros clínicos, mas as pessoas que tomaram placebo também
melhoraram tanto quanto aqueles que ingeriram a droga. A única
exceção é o caso de depressão profunda, segundo a pesquisa. De
acordo com o autor do estudo, Professor Irving Kirsch, os resultados
mostram que não há razões para prescrever antidepressivos em casos
que não sejam de depressão profunda. |
A questão do uso de antidepressivos é, sem dúvida, muito polêmica. A
começar pelo grande número de pessoas que fazem uso deste tipo de
medicamento. Será que todos são casos em que seu uso é realmente
necessário? É possível afirmar que não. Médicos das mais diversas
especialidades receitam antidepressivos para qualquer queixa de
insatisfação de seus pacientes.
O que ocorre é uma transformação de um sentimento humano – a tristeza –
em inaceitável.
É um fenômeno cultural que não aceita a frustração, o medo, a
insegurança, o tédio e outros sentimentos que fazem parte da relação do
indivíduo com o mundo.
Isto não
significa que os antidepressivos não são eficazes,
tampouco que não deveriam estar incluídos no tratamento de pacientes,
mas sim uma falta critério no seu uso por parte da classe médica e dos
pacientes.
No caso dos pacientes, existem aqueles que gostam do status de
usar estas drogas como se legitimassem suas limitações e dificuldades
quando prescritas por um médico. Tem também os que se dizem contra por
que eles causam dependência, chegando a afirmar que não tomariam em
hipótese alguma. São posturas equivocadas.
Seria bobagem esperar um efeito mágico de um medicamento, bem como não
utilizá-lo quando necessário e na medida certa.
A eficácia dos antidepressivos varia caso a caso. Isto significa que por
mais que o médico psiquiatra tenha experiência, é preciso analisar se o
medicamento tem os efeitos esperados para aquele indivíduo, após o uso
regular de 20 a 30 dias. Se não atingiu o efeito esperado, é preciso
trocar.
Desta forma, é um tratamento que requer tempo, exige paciência, adesão à
proposta do médico e não deve ser interrompido sem o conhecimento deste.
As pesquisas indicam que o sucesso do tratamento quando associado à
psicoterapia é maior. Isto porque a depressão não é apenas uma disfunção
do organismo, mas também está estreitamente ligada a questões
psicológicas, ou seja, que envolvem relação da pessoa com o que acontece
a sua volta. Não trabalhar estas questões pode contribuir para o
insucesso do tratamento. É preciso um engajamento do paciente em para
cuidar de si mesmo e rever as questões de sua vida.
Sem esforço, não há progresso!
Augusto Amato Neto
Psicólogo (CRP
06/80945) Esportivo da AEM e mestrando em psicologia experimental pela
USP.
E-mail:
augustoamato@hotmail.com
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