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OS RISCOS DA
AUTOMEDICAÇÃO
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Nos últimos
dias, em conversas informais, tenho me deparado com uma situação
preocupante: a automedicação. Uma conversa sempre começa com
aquele “Oi, tudo bom?” e segue por “tudo bem e você?”. Continuando,
o rapaz disse que não havia passado bem a noite, com muitas dores.
Questionei o que era e ele disse pedra no rim. Quando perguntei se a
dor havia melhorado a resposta foi: “Sim, estou melhor porque tomei
remédio”. Continuei, perguntando quando o diagnóstico havia sido
feito pelo médico e a resposta foi: “Não, eu não fui ao médico”.
Surpreso, questionei como ele sabia que tinha este problema. “Como o
remédio melhorou, acho que era isso mesmo”, respondeu o jovem.
Demonstrei minha preocupação com este tipo de conduta, o que pareceu
não preocupá-lo. Entretanto, no dia seguinte relatou que havia ido
ao médico. |
Um estudo chamado
"Configuração do Complexo Econômico da Saúde", realizado pela Unicamp a
pedido do Ministério da Saúde concluiu que pelo menos 50% das vendas
dos medicamentos tradicionais do mercado brasileiro correspondem a
automedicação. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias
Farmacêuticas, todo no cerca de 20 mil pessoas morrem no país, vítimas
da automedicação.
Um medicamento pode
ser composto de uma ou mais substâncias, que agem melhorando sintomas ou
nas causas principais que geram tais sintomas. Nem sempre a sensação
de melhora indica que o problema foi resolvido. Os riscos de não
consultar um especialista diante de um problema físico são muitos, já
que interações entre medicamentos podem gerar outros problemas. Sem
contar os efeitos colaterais de toda substância, que variam de pessoa
pra pessoa.
Um exemplo do risco
está na descoberta recente que um medicamento antiinflamatório aumenta o
risco de doenças do coração. Um indivíduo que tem pressão alta e toma
antiinflamatório sem prescrição médica está aumentando muito a
probabilidade de um ataque cardíaco e morte súbita. O grande perigo
está no efeito cumulativo de tais abusos. A sensação de resolver o
problema imediatamente, sem conseqüências aparentes faz com que o
comportamento de automedicação aumente.
QUAL O PREJUÍZO DE
CONSULTAR UM MÉDICO ESPECIALISTA?
Augusto Amato Neto
Psicólogo (CRP
06/80945) Esportivo da AEM e mestrando em psicologia experimental pela
USP.
E-mail:
augustoamato@hotmail.com
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