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BEBIDAS ENERGÉTICAS ESTÃO ASSOCIADAS A COMPORTAMENTO DE RISCO ENTRE ADOLESCENTES

O Jornal The New York Times divulgou que pesquisadores da área de saúde identificaram um novo e surpreendente indicador para comportamento de risco entre adolescentes e jovens adultos americanos: bebidas energéticas.
Energéticos com altas doses de cafeína, como Red Bull, Monster, Burn e Flying Horse, cresceram em popularidade na última década. Cerca de um terço dos jovens entre 12 e 14 anos afirma tomar bebidas energéticas regularmente, o que corresponde a mais de US$ 3 bilhões em vendas anuais nos Estados Unidos.
 

A tendência tem gerado crescente preocupação entre pesquisadores da área de saúde e profissionais de educação. Em todo o país, a bebida tem sido associada a relatos de náusea, batimentos cardíacos anormais e entradas nas emergências dos hospitais.
Em março, o Journal of American College Health publicou um relatório sobre a ligação entre bebidas energéticas, atletas e comportamento de risco.

A autora do estudo, Kathleen Miller, pesquisadora sobre vício da Universidade de Buffalo, afirma que o estudo sugere que o alto consumo de bebidas energéticas está associado a comportamentos típicos de usuários de drogas, um conjunto de comportamentos agressivos e arriscados que inclui sexo sem proteção, abuso de substâncias e violência.
A descoberta não significa que as bebidas causam mau comportamento. Mas os dados sugerem que o consumo regular de bebidas energéticas pode ser um sinal de alerta aos pais de que seus filhos têm mais tendência a assumir riscos para sua saúde e segurança. "Parece que os jovens que tomam muito bebidas energéticas têm mais tendência a assumir riscos", disse Miller.
As bebidas possuem uma variedade de ingredientes em diferentes combinações: estimulantes naturais como guaraná, ervas como ginkgo e ginseng, açúcar, aminoácidos, incluindo taurina, e também vitaminas.
Mas o principal ingrediente ativo é a cafeína.
Uma preocupação em relação a essas bebidas é que, pelo fato de serem servidas geladas, podem ser consumidas em grandes quantidades e mais rapidamente do que bebidas quentes como café, que são bebericadas. Outra preocupação é a crescente popularidade da mistura de energéticos com álcool. A adição de cafeína pode fazer usuários de álcool se sentirem menos bêbados, mas a coordenação motora e o tempo de reação visual são tão prejudicados quanto quando bebem álcool puro, segundo um estudo de abril de 2006 publicado no informativo médico Alcoolismo: Pesquisas Clínicas e Experimentais.
"Você fica 100% bêbado do mesmo jeito, só que um bêbado acordado", disse Dr.a Mary Claire O'Brien, professora associada dos departamentos de medicina emergencial e serviços de saúde pública da Wake Forest University Baptist Medical Center, em Winston-Salem, na Carolina do Norte. O'Brien pesquisou o uso de álcool e bebidas energéticas entre estudantes universitários em 10 universidades na Carolina do Norte.
O estudo, publicado este mês, mostrou que estudantes que misturaram energéticos com álcool ficaram bêbados com duas vezes mais freqüência do que aqueles que consumiram só álcool, e tiveram uma tendência muito maior a se machucarem enquanto estavam embriagados ou necessitaram tratamento médico durante a bebedeira. Pessoas que misturaram energéticos com álcool tiveram maior tendência a ser vítimas ou protagonistas de comportamento sexual agressivo. O efeito permaneceu mesmo depois que os pesquisadores controlaram a quantidade de álcool consumida.  

Augusto Amato Neto

Psicólogo (CRP 06/80945) Esportivo da AEM e mestrando em psicologia experimental pela USP.

E-mail: augustoamato@hotmail.com