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OBESIDADE: O QUE ACONTECE COM NOSSO CORPO?

 

Pesquisas explicam os efeitos do excesso de peso, por que é tão difícil emagrecer e quais as possíveis soluções.

 

Muitos profissionais da área da saúde têm se dedicado a compreender a Obesidade, uma doença que está cada vez mais presente na população mundial, inclusive no Brasil.

 

Foram necessários 15 anos de trabalho para as equipes de Mário José Abdalla Saad, José Barreto Carvalheira e Lício Velloso na Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp para descobrirem que o excesso de doces repletos de cremes, pães, frituras e carnes

 

gordurosas impede o funcionamento adequado do hormônio insulina, que carrega a glicose para o interior das células de diferentes órgãos e tecidos onde esse açúcar é transformado na energia essencial à vida.

 

Seus estudos foram publicados recentemente na Revista Pesquisa Fapesp (www.revistapesquisa.fapesp.br) e comprovam que esse desajuste bioquímico, conhecido como resistência à insulina, começa no cérebro e nos músculos. Depois repercute em todo o corpo, reduzindo o aproveitamento da energia dos alimentos e aumentando a fome. Em conseqüência, obesidade, diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares e até mesmo câncer – em resumo, os problemas que mais matam no mundo hoje – desenvolvem-se mais facilmente.

 

OS ESTUDOS DESTAS EQUIPES CONTRIBUÍRAM PARA DESMISTIFICAR A IDÉIA DE QUE O INDIVÍDUO É OBESO PORQUE QUER OU PORQUE NÃO TEM FORÇA DE VONTADE. HOJE SABEMOS QUE O EFEITO QUE O ACÚMULO DE GORDURA NO ORGANISMO PRODUZ UMA SÉRIE DE ALTERAÇÕES FISIOLÓGICAS QUE CONTRIBUEM PARA DIFICULTAR O EMAGRECIMENTO E A MANUTENÇÃO DO PESO BAIXO. PORTANTO, DEPOIS DE ATINGIDO UM GRAU ELEVADO DE OBESIDADE, TORNA-SE DIFÍCIL VOLTAR AO PESO IDEAL.

 

Os estudos são tão completos que descobriram que a forma mais simples de evitar o excesso de insulina e de seu prejuízo seja mesmo fazendo exercícios físicos. Marcelo Flores, sob a orientação de Carvalheira, demonstrou que exercícios prolongados de média a alta intensidade reduziram o apetite de ratos por aumentarem a sensibilidade do hipotálamo a dois hormônios que controlam a fome, a insulina e a leptina.

 

Mas os exercícios devem ser regulares e contínuos. Em um experimento realizado na Unicamp, um grupo de ratos teve de nadar durante uma hora por dia por oito semanas, enquanto outro grupo permanecia sedentário. Depois todos os animais se fartaram com alimentos com muita gordura, doces à vontade e bebidas muito calóricas nas oito semanas seguintes. Surpreendentemente, os que haviam feito exercício desenvolveram uma resistência à insulina mais pronunciada que os sedentários. Os ratos que haviam nadado engordaram mais, reproduzindo uma das mudanças mais visíveis que o jogador argentino Maradona viveu depois de ter deixado o campo. Conclusão: embora o sedentarismo seja criticável, fazer exercício regularmente para perder peso e depois parar abruptamente pode ser decepcionante.

 

Augusto Amato Neto

Psicólogo (CRP 06/80945) Esportivo da AEM e mestrando em psicologia experimental pela USP.

E-mail: augustoamato@hotmail.com