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OBESIDADE: O QUE ACONTECE COM NOSSO CORPO?

 

Quem acompanha meus textos na coluna Dicas de Saúde, está por dentro das iniciativas do Japão (leia a matéria)) e do estado de Los Angeles, nos Estados Unidos (leia a matéria) para o controle populacional da obesidade e do consumo de alimentos com excesso de gordura.

 

 Nesta semana, a Revista Época (Edição 539 - 15/09/2008) traz a seguinte chamada de reportagem: “Fumo, bebida & batata frita - Eles são hoje três vilões combatidos – em nome da saúde pública – com força cada vez maior. E se tornaram símbolos do conflito que opõe a liberdade de escolha à vocação do Estado para tutelar nossa vida”.

A questão que se levanta é até que ponto uma instituição governamental (Federal, Estadual ou Municipal) deve estabelecer condutas corretas e/ou proibir atitudes em lugares específicos. É compreensível que se proíbam motoristas de andarem na contramão, por exemplo, mas por que o consumo de cigarro em lugares públicos é proibido e o consumo de álcool é permitido sem limite a pessoas com idade superior a 18 anos?

Compreendeu a polêmica da questão?

Qual o limite do controle que o(s) governo(s) deve(m) ter sobre a nossa vida?

Muitos pesquisadores da psicologia têm se dedicado a este tipo de questão. Skinner (*) em 1954, considerava o governo uma agência controladora de comportamentos, estimulando e mantendo atitudes dos indivíduos, mesmo que estes não percebam este controle. Skinner considerava outras instituições exercendo este mesmo tipo de efeito, como as de ensino e religiosas.
Compreendendo as instituições de governo desta forma é possível supor que a existência do tráfico de drogas é mantido pela política de proibição adotada pela legislação vigente, mas que não tem controle suficiente para fiscalizar e proibir um comércio ilegal que movimenta tanto dinheiro.
Outro ponto de vista interessante é como deve ser estabelecido o foco de atuação de um governo. Enquanto a AIDS está voltando a ter sua incidência aumentada em certas populações, não se ouve falar absolutamente nada que chame a atenção das pessoas para esta realidade e o risco de morte conseqüente. Qual a razão para se preocupar, então, com a batata frita que o brasileiro come?

(*) Skinner, B. F. (1954). Ciência e Comportamento Humano.

Augusto Amato Neto

Psicólogo (CRP 06/80945) Esportivo da AEM e mestrando em psicologia experimental pela USP.

E-mail: augustoamato@hotmail.com