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BASQUETE 3x3

 

Os primórdios do basquete de rua no Brasil, teve seu início da mesma forma que outras modalidades como o futebol, handebol, voleibol e basquetebol. Entre as modalidades citadas, o voleibol devido a necessidade de disponibilidade de equipamento como rede, traves e bolas, era mais difícil de ser praticado nas ruas. Consequentemente, era mais fácil encontrar os espaços prontos para “rachas, peladas ou “pegas” de basquete e futebol. O handebol tinha sua versão conhecida como “queimada”, que era jogada em quadras de escolas, pátios, praças e até outros espaços não tão comuns a prática esportiva.

 
Esses “rachas” em todo Brasil eram comuns, misturando as várias faixas etárias e classes sociais. Na época, o lugar ideal para o seu desenvolvimento eram os clubes que reuniam as comunidades locais, formando equipes que disputavam competições no âmbito amador e profissional em seus estados. Os mais talentosos participavam como federados em suas agremiações, disputando regionalmente e nacionalmente os campeonatos existentes. O basquete foi durante muito tempo (até 1981) a segunda modalidade mais praticada no país (futebol em primeiro), perdendo seu posto para o voleibol que se organizou e conseguiu resultados num ambiente profissional e vitorioso.

 
Diferentemente da sua ocupação em solo americano, onde o basquete tem seu foco no esporte de rendimento amparado pelas ligas já citadas, no Brasil o foco foi diferente. O basquete de rua surge com um viés social, ou seja: Entretenimento como o irmão americano, mas com o foco voltado como ferramenta de transformação social. A competição é válida como em qualquer esporte, mas a conquista da cidadania plena torna mais atraente e desafiadora sua implementação.

 
Durante um bom período, os resultados no basquete profissional fomentavam o basquete de rua. O sucesso do basquete tradicional foi conseguido por abnegados atletas, dirigentes e apaixonados pelo esporte. Entre eles o memorável técnico Kanella e os atletas Vlamir, Rosa Branca, Pipoca, Amauri e Oscar. Sem esquecer a glória do basquete feminino com Hortência e Magic Paula, entre vários outros nomes que elevaram o basquete brasileiro.

 
Enquanto eles brilhavam nas quadras, os rachas e as escolinhas de basquete (sempre nos clubes) aconteciam atraindo um público apaixonado. Logo, concluímos que o basquete de rua sempre existiu de forma não organizada e sim espontânea.

 
Além da Liga Urbana de Basquete, que se preocupa com a área social, destacamos a proposta de outros grupos como a Libbra e a equipe Cesta Básica do Rio de Janeiro. A primeira realizando um campeonato de âmbito nacional com apoio de uma grande rede de comunicação, a última faz um trabalho social, com base no Projeto Lance Livro onde arrecada e distribui livros durante suas apresentações. Neste aspecto, a LUB fixou o seu trabalho no conceito esporte-cidadania, sendo suas equipes e o seu site, os pontos virais do seu trabalho.

 
Não devemos esquecer que antes mesmo do basquete de rua se organizar, haviam outras ações pontuais como a equipe formada por artistas apaixonados por basketball, sob o comando de Da Gama, guitarrista do Cidade Negra, que além da sua atividade como artista da banda, cuida também de várias frentes sociais, entre elas o projeto "Basquete e Arte", que promove desde de 1996, jogos de basquetebol com a participação de artistas para arrecadar cestas básicas e material escolar para as comunidades do Rio de Janeiro.

 
Entre os artistas que participam do projeto, destacam-se Toni Garrido, Orlando Moraes, Heitor Martinez, Alex do Grupo Morenos, Carlos Casagrande, Pedro Bial, Jonathan Haagensen, Jorge de Sá, entre outros.